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Segue resposta do jurídico da SBCBM. (recebido em 10/09/2014)

O paciente possui livre escolha nos médicos e profissionais de equipe multiprofissional que irão realizar o atendimento e tratamento. Entretanto, caso o tratamento e atendimento ocorrer na condição de plano de saúde, este deverá obedecer a rede credenciada, inclusive quando da indicação cirúrgica. Já com relação à indicação de procedimento cirúrgico, o plano de saúde não pode negar a autorização alegando que o relatório médico ou de outro profissional não pertence à rede credenciada, desde que o paciente arque com os custos deste profissional fora da rede. O plano de saúde não pode intervir na forma de tratamento do paciente, tampouco na escolha do profissional.

Atenciosamente.

Secretaria SBCBM

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 NOTÍCIAS SBCBM

        
Pacientes de cirurgia bariátrica terão acesso a cuidado multidisciplinar

A partir de janeiro de 2014, os beneficiários de planos de saúde individuais e coletivos terão direito ao cuidado integral da saúde e ao tratamento multidisciplinar. A medida significa cobertura obrigatória de consultas com fisioterapeutas, além da ampliação do número de consultas e de sessões (de seis para 12) com profissionais de especialidades como fonoaudiologia, nutrição, psicologia e terapia ocupacional.

Esse é um dos destaques do novo rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), anunciado no último dia 21 de outubro pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e pelo diretor-presidente da ANS, André Longo. Pacientes que queiram se submeter à cirurgia bariátrica, por exemplo, terão direito a 12 sessões de psicologia.

A expectativa dos profissionais de saúde envolvidos com a cirurgia bariátrica é que a resolução venha a beneficiar, de maneira especial, as pessoas que queiram se submeter ao procedimento. Isso porque elas passarão a ter um acompanhamento multidisciplinar nas fases pré e pós-operatórias, o que, segundo afirmam, é fundamental para o sucesso do resultado da intervenção cirúrgica.

Na opinião da nutricionista Alessandra Coelho, vice-presidente da Comissão das Especialidades Associadas (COESAS), a medida pode ser considerada um benefício tanto para os usuários de planos de saúde quanto para o sistema de saúde pública do País. E afirma: “A inclusão dessas especialidades pode minimizar ou evitar custos futuros com doenças crônicas, pois o acesso ao tratamento multidisciplinar ajuda a prevenir complicações do pós-operatório.”


Novas coberturas dos planos de saúde

Além dessa novidade, o novo rol da ANS prevê a inclusão de mais 87 procedimentos – incluindo 37 medicamentos orais para o tratamento domiciliar de diferentes tipos de câncer e 50 novos exames, consultas e cirurgias – que devem ser obrigatoriamente oferecidos pelos planos de saúde individuais e coletivos aos seus beneficiários. Todas essas novas incorporações, que entram em vigor em janeiro do ano que vem, vão beneficiar 42,5 milhões de usuários com planos de saúde de assistência médica e outros 18,7 milhões com planos exclusivamente odontológicos.


A importância do tratamento multidisciplinar da obesidade
Em função da complexidade do atendimento ao paciente obeso mórbido, representantes das especialidades que fazem parte do tratamento multidisciplinar da obesidade têm promovido encontros com dois principais objetivos: criar um código de conduta específico da categoria e atrair cada vez mais profissionais interessados em lidar com essa doença, que é um grave problema de saúde pública no País.
Confira o que quatro especialistas, cada qual de uma área específica, falam das peculiaridades de seu trabalho durante as assistências pré e pós-operatórias no tratamento da obesidade.

Nutrição - Um dos fatores importantes para o sucesso da cirurgia está relacionado com mudanças de hábitos alimentares. Por isso a necessidade da presença de um nutricionista no acompanhamento multidisciplinar dos pacientes bariátricos, que, claro, devem receber tratamento individualizado.
Segundo a nutricionista Alessandra Coelho, vice-presidente da COESAS, é necessário respeitar questões de religião, costumes regionais e modos de comportamento, por exemplo. Ela afirma que essas características influenciam os hábitos alimentares das pessoas e por isso devem ser consideradas na prescrição da dieta. “O manejo nutricional no primeiro ano após a cirurgia deve ser adequadamente conduzido. Como é o período de maior redução de peso, é preciso saber equilibrar os níveis de proteínas e vitaminas”, ressalta Alessandra.

Psicologia - Uma das contribuições dos psicólogos é o desenvolvimento de um trabalho psicoeducacional com pacientes bariátricos, com o intuito de conscientizar o paciente de que ele precisa compreender os motivos conscientes e inconscientes da má alimentação, do sedentarismo, da falta de energia que pode estar associada a um quadro de depressão, do isolamento social causado pela obesidade, por exemplo. Só assim é possível uma mudança de estilo de vida por hábitos mais saudáveis.
Vale lembrar que o excesso de peso está associado a uma série de doenças que comprometem a qualidade da vida emocional. “O apoio familiar e dos amigos é fundamental para os bons resultados do processo de emagrecimento e para a manutenção do peso dessas pessoas”, afirma a psicóloga Isabel Paegle, coordenadora executiva da área de Psicologia da COESAS. E esse suporte familiar e social é também fundamental para evitar o reganho de peso dos pacientes operados.
Outro aspecto a ser considerado é a possibilidade da troca de uma compulsão por outra – quando, por exemplo, o paciente passa a beber ou a fumar mais para compensar a falta da comida, o que, em psicanálise, chama-se deslocamento de um sintoma psíquico para outro. Por isso a importância das sessões de psicoterapia, antes e depois do procedimento cirúrgico, que ajudam o paciente a entender que a saciedade imposta pela cirurgia pode levar a uma insatisfação alimentar.
Como explica Isabel, o acompanhamento anterior e posterior à realização da cirurgia é uma oportunidade valiosa para trabalhar os comportamentos socialmente aceitos, como ingestão de álcool, que, segundo a especialista, pode prejudicar a plena recuperação do paciente bariátrico.

Fonoaudiologia - A atuação dos fonoaudiólogos no tratamento da obesidade está principalmente relacionada ao trabalho de conscientizar, treinar e reabilitar o indivíduo para realizar as funções orofaciais de mastigação, deglutição, respiração, sucção e fala de forma eficiente para uma nova modalidade de alimentação, contribuindo, assim, na busca da estabilidade nutricional e na prevenção de riscos à saúde. “Como há uma redução significativa na capacidade gástrica, os pacientes bariátricos necessitam aprender uma nova maneira de realizar essas funções, visto que a ingestão de alimentos sólidos requer uma mastigação e, consequentemente, uma deglutição correta", explica Marlei Braude Canterji, coordenadora executiva de Fonoaudiologia da COESAS e fonoaudióloga do Grupo de Estudos das Cirurgias de Obesidade e Metabólica (GECOM) do Rio Grande do Sul. Um dos grandes desafios é tornar algo automático, como a mastigação, uma função consciente e realizada da maneira adequada, principalmente quando trabalhamos com pacientes adultos.

Fisioterapia - “A fisioterapia tem um papel fundamental para ajudar a melhorar o organismo como um todo”, afirma a fisioterapeuta Carolina Boeira Vargas, integrante da COESAS e do Centro da Obesidade Mórbida e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Pacientes obesos geralmente possuem problemas musculoesqueléticos e articulares, que atrapalham as tarefas do dia a dia, como amarrar os tênis, pentear o cabelo, subir e descer escadas.
A fisioterapia auxilia, de forma ativa, na melhora da execução dessas atividades por meio de técnicas facilitadoras para a promoção da saúde física – que visam à recuperação das funções motora e respiratória.
Em pacientes bariátricos, o fisioterapeuta tem atuação importante em todas as etapas do acompanhamento multidisciplinar: na pré-operatória, para fortalecer as funções pulmonar e física; na transoperatória, cuidando para que sua recuperação seja a melhor possível, e na pós-operatória, ajudando na recuperação das condições cardiorrespiratória e musculoesquelética desses pacientes.

Fonte: http://www.sbcb.org.br/noticiasbcbm.php?not_id=83&str=002 

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 Mulher faz dieta líquida por 8 meses e perde movimento das pernas, no ES

Karina Gonçalves vivia a base de líquidos em dieta sem orientação.
Médico alertou que problema foi causado por falta de vitamina B1.

O objetivo da auxiliar de laboratório Karina Gonçalves, de 20 anos, era perder 10 kg e ficar pronta para o carnaval. Mas, agora, ela passa o dia sentada no sofá. Após substituir as refeições por um 'shake' e um chá durante oito meses, sem acompanhamento médico, ela perdeu temporariamente os movimentos das pernas. O motivo, segundo especialista, foi uma beriberi hipovitaminose causada pela falta da vitamina B1 no organismo, que, neste caso, provocou a paralisação de estímulos às pernas. Durante o período, ela perdeu mais do que esperava. No início, pesava 79 kg e perdeu 13 kg, pagando um preço alto.
Karine parou de comer e fez uma alimentação a base de líquidos. Atualmente, ela se arrasta pela casa e só consegue se movimentar com a ajuda da mãe. “No café da manhã, comia um pão light com leite. No almoço e na janta, tomava shake e chá. Não sentia fome por causa dos remédios que inibiam o apetite. Vi que estava dando resultado e continuei durante oito meses. Minha mãe e minhas amigas diziam que eu era louca, mas não ligava. Fiz tudo sem orientação médica.”, disse a jovem.
A mãe de Karine tentou alertar, mas a jovem não ouviu. O final dessa história foi um susto pra toda família. Ela passou mal no meio da rua e não conseguiu mais andar. “Dava uns puxões de orelha. Percebi que algo estava errado porque a pressão dela oscilava. Sempre incentivava ela a comer, mas não queria. Foi um desespero ter que ir buscá-la no terminal rodoviário e vê-la sem andar. Como mãe, digo que ninguém deve fazer dieta assim. Coisa que se vê em propaganda não está certa, tem que procurar uma orientação médica”, disse a manicure Luciana Ferreira.
Mãe ajuda Karine a se locomover dentro de casa (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Mãe ajuda Karine a se locomover dentro de casa (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Karine foi parar em quatro hospitais e foi atendida por oito médicos diferentes. Depois de informar qual era a dieta e realizar vários exames, os médicos descobriram a doença. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia explica o que aconteceu com Karine. “Tipos de alimentações a base de shakes causam desnutrição. É impossível ter em um copo de shake a quantidade de vitaminas que o corpo precisa. A pessoa vai emagrecer porque estará desnutrida, mas não terá saúde”, comentou o endocrinologista Albermar Robert Harrigan.
Precisamos alertar a população a não acreditar em milagres."
Albermar Harrigan, endocrinologista
O médico explicou que o organismo dela ficou sem a vitamina B1, presente no arroz, legumes e verduras. Isso afeta o sistema nervoso e, no caso da Karine, as pernas ficaram sem receber estímulos. “Isso aconteceu porque ela fez uma dieta errada. Não há emagrecimento rápido, para ir a um casamento, por exemplo. Precisamos alertar a população a não acreditar em milagres. A alimentação equilibrada e a prática de exercícios leves ou moderados bastam para o indivíduo ter um emagrecimento saudável”, comentou.
Em dez dias, Karine deve voltar a andar, mas vai precisar de tratamento e  reeducação alimentar. A moça garante que dessa vez aprendeu a lição. “Quero voltar a fazer a dieta com acompanhamento médico. Essas dietas malucas são só uma ilusão. O negócio é ir devagar e sempre. Estou me recuperando e quero servir de exemplo para as pessoas que querem perder peso”, disse a jovem.

 FONTE:  http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/02/mulher-toma-shake-por-8-meses-e-perde-movimento-das-pernas-no-es.html